terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

A PERMANÊNCIA DA LINGUAGEM [texto para blog Wishreport, em parceria com Arthur Casas, publicado em 10.08.09]

Vale visitar a exposição “Burle Marx: A permanência do instável”, em cartaz no MAM-SP até 13 de setembro, sobre a obra desse que é, nas palavras inflamadas de Richard Neutra, o “gênio do jardim”, segundo muitos o inventor do paisagismo moderno brasileiro, peça fundamental na tradução do modernismo europeu para os nossos verões tropicais.

Além da impressionante lista de projetos, complementando algumas das mais importantes obras da arquitetura brasileira, dos inúmeros prêmios, do reconhecimento internacional, o que impressiona na bem montada exposição é o caráter multidisciplinar desse paisagista que também foi pintor, gravurista, escultor, joalheiro, figurinista, cenógrafo, ceramista e tapeceiro.

Daí­ que percebemos que a questão de Burle Marx era a linguagem: forma, cor, composição. Se a maneira de expressa-la é o jardim do Banco Safra, o desenho da Av. Atlântica, ou o cenário para a montagem do Petrouchka de Stravinsky, tanto faz. Nas palavras de Burle Marx: “Foi, em resumo, o modo que encontrei para organizar e compor o meu desenho e pintura, utilizando materiais menos convencionais.”

Irônico, quando se trata de um grande conhecedor de botânica, da flora brasileira, quase um técnico quando assunto é chuva, sol, vento, sombra!

Sair com essa pulga filosófica atrás da orelha é muito bom para todos nós que de alguma maneira estamos envolvidos com as artes, a arquitetura, o design. Somos submissos à matéria do nosso trabalho (as plantas, o concreto, as tintas) ou as usamos como modo de expressar nossas investigações a respeito da linguagem, nossas inquietações e contribuições em relação ao que existe?

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